De Paula Machado Advogados

TST: Fiscalização de e-mail pressupõe proibição do uso para fins pessoais

A partir do momento em que a empresa não proíbe o trabalhador, por norma interna, de utilizar o e-mail corporativo para fins pessoais, a fiscalização, pelo empregador, viola o direito à intimidade.

Esse entendimento, adotado pela Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho em um julgado recente, vem ganhando força também em outros Tribunais, sobretudo porque o contato do trabalhador com os meios informatizados também tem se intensificado.

No caso noticiado pela Assessoria de Imprensa do Tribunal Superior do Trabalho na última terça-feira, o empregado utilizava armário e computador pessoal (ambos de propriedade do empregador) e e-mail corporativo para executar suas atividades de trabalho.

Segundo a notícia (que pode ser consultada, na íntegra, aqui), não havia proibição, por parte do empregador, de utilização de qualquer desses itens para fins particulares. Consequentemente, a empresa, ao abrir o armário, consultar o computador e copiar informações do e-mail do empregado, incidiu em violação ao direito à intimidade e vida privada do trabalhador.

O Tribunal concluiu por manter a decisão que impôs a condenação ao pagamento de indenização por danos morais.

É lícito ao empregador estabelecer normas de conduta internas, que deverão ser observadas pelo trabalhador no uso de ferramentas informatizadas fornecidas pelo empregador, como computadores pessoais, telefones celulares, tabletssmartphonespalms, etc.

O ideal é que as normas de conduta sejam claras ao estabelecer os limites para uso dos meios informatizados e que o empregado esteja ciente, desde o princípio, que esses equipamentos e meios de comunicação estão sujeitos à fiscalização do empregador.

Assim, evita-se que o trabalhador veicule ou armazene informações de caráter pessoal, de forma a não deixar inadvertidamente sua privacidade exposta.

Vale lembrar que a adoção de normas também demanda a exigência em seu cumprimento, para que não se cause a falsa impressão de que as normas internas não foram implantadas na prática.

Whatsapp De Paula Machado